Aqui ficam as minhas impressões sobre a nova VFR.
Grande motão, motor bem cheio que chega para ela e mais duas.

A moto pareceu-me confortável quanto baste, pelo menos para os 30kms em que andei nela. A posição de condução é boa e apesar de o banco parecer pequeno, ainda há espaço para escorregar para trás quando se lhe "metem as esporas nos flancos".
Notei que temos sempre a sensação de ter a moto presa pelo motor, de tal forma ela reage tanto em aceleração como em desaceleração. De todos os "V" da Honda que já experimentei é o que mais "agarra" a moto.
Em reprise não sai muito bem de baixas, convém não deixar cair muito o regime sob pena de sermos brindados com uns valentes soluços. Por outro lado, lá pelas 8000rpm dá um esticão daqueles de nos fazer escorregar para trás no banco.
Gostei da resposta progressiva em aceleração, tem um arranque bastante forte mas não mostra tendência para levantar a roda da frente, a menos, claro está, quer o condutor insista muito.
A transmissão, apesar das maravilhas que me venderam, sendo mais suave que a da Deauville, deixa no entanto bem patente que temos uma transmissão por veio apresentando a rigidez típica desta solução.
Quanto à suspensão, pareceu-me bastante bem, engole com facilidade as pequenas irregularidades e mesmo algumas maiorzitas. Em aceleração e travagem não apresenta os sintomas de "colchão de molas" (peguei na moto "as is" sem a afinar para o meu peso).
Em curva o comportamento do conjunto pareceu-me bastante saudável, mantendo bem a estabilidade tanto em aceleração como em travagem, mesmo quando o piso apresenta irregularidades ou somos menos delicados na dose de qualquer uma delas.

Falando em travagem, falta referir a questão do ABS.
Como estava muito bom tempo e rolei por vias em bom estado não foi fácil fazê-lo trabalhar, mas tanto teimei que lá consegui encontrar um bocadito de areia e umas passadeiras para o pôr à prova.
Como de costume, mas isso deve ser defeito meu, achei que confere um comportamento estranho à moto, julgo que requeira alguma habituação. Isto para uma condução dita normal.
A presença do ABS invalida declaradamente os pequenos truques de pilotagem que podem ser tão úteis nos apertos. Pode-se pôr de parte o recurso ao travão de trás para fechar rapidamente uma curva quer porque entrámos um pouco rápido demais ou porque somos surpreendidos por um gancho.
Também se pode pôr de parte o deslizamento lateral da traseira para fazer uma entrada mais rápida em curva.

Apesar de ter andado a fazer testes com o tempo bastante quente e de ter rolado alguns bocados no meio de trânsito de praia, nunca senti qualquer lufada de ar quente vindo do motor, isto apesar de o mesmo estar muito fechado, como o mostra a frequência com que a ventoinha de radiador dispara quando no meio de trânsito.
Em geral, uma boa moto, cujo único senão para "papa-kms" como nós podem ser a falta de um guiador convencional, mesmo tendo em conta que a posição e ângulo dos avanços é bastante confortável, quando comparada com as generalidade das RRs.
Para os proprietários das VFR 750 e 800 é mais do mesmo com algumas melhorias. Já os adeptos da XX vão notar a falta do "motor canhão" a que estavam habituados, mas de qualquer maneira ainda há prestações quanto baste.
Tanto uns como outros vão ter de se habituar à rigidez da transmissão por veio.
Gostei muito, mas ainda não é desta que, para o meu perfil de utilização, encontrei uma alternativa à Deauville.

Abraços e boas curvas
Jorge Ferreira
#2
PS: Os "chicken stripes" avantajados que ela tinha já lá não estavam quando a larguei.
